Sou do tipo de menina certa que procura a atenção do menino errado, idolatro o bandido e desprezo o mocinho. Sabe, eu sempre procurei chamar a sua atenção enquanto tudo o que você queria era chamar seus amigos pra mostrar o quanto eu estava ali caidinha por você. Estava e permaneceria ali por horas, dias, meses, anos. O que eu queria mesmo era que você sentasse do meu lado e me pedisse pra não levantar e ir embora, por que essa sim, seria a minha atitude se você tivesse me levado a sério. Depois de dormir fazendo planos mirabolantes, acordava pensando que ele não valia a pena. É claro que não. E por acaso, quem é que não sabia disso? Quem é que não via isso? Só eu mesmo, eu não via por fingir não saber.
Você passava sem nem ao menos olhar pro lado, e sim, eu ainda estava lá. Te observando e imaginando como seu sorriso indefinido poderia ser tão mais perfeito junto ao meu. A esperança é a última que morre. É a última, mas não é imortal. Brincar tem preço, sabia? A sua bomba estava lá, durante todo esse tempo, eu só não queria admitir isso, porém eu sempre soube que um dia ela estouraria. E estourou, juntamente com a paciência, a admiração e tudo o que você me fez criar sozinha. A partir do momento em que você resolveu, descaradamente e mais do que nunca, brincar comigo, eu resolvi desintoxicar-me do teu veneno, do vício de ti. Me perdeu, e hora ou outra vai se sentir perdido por isso. Daqui uns meses vai sentir como se lhe faltasse parte do sorriso que eu tanto quis completar.
Sinto muito, mas eu não vou rastejar por você. É que eu aprendi que quanto mais perto do chão se está, mais fácil fica pra pisar, né?
Eu que sempre soube de todos os seus passos, te seguindo e literalmente correndo atrás de você, pela primeira vez, tive uma certeza: Deixei de saber. Deixei de procurar motivos em todas as partes para estar perto de você, sabendo que, o único verdadeiro motivo era a minha vontade de estar lá. Desacreditei do amor, embora eu fosse movida por ele. Ou pela abstinência dele. Aquela era a hora em eu me forcei, mesmo sem vontade, a buscar novas razões. Estranhou né? Não te mandei mensagem a noite e não pedi pra que houvesse retorno.
Ontem te vi novamente. Ontem eu estava diferente. Aliás, eu sempre fui diferente, só você não viu. E como deve te fazer falta um chão pra pisar, hein? Eu não jurei por nada, só declarei a mim mesma: Não haverá mais dias seguintes pra você.

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