Eu sei lá do que eu quero falar, Zé! Não tenho mais
inspiração nem paciência como alguns poucos anos atrás! Não tenho paciência pra
falar de corações partidos ou alguma outra coisa que todo mundo anda falando
por ai. To achando tudo tão imaturo agora. Será que eu tô amadurecendo rápido demais?
Sei lá Zé, me ajuda. Eu só quero sentir mais vezes aquilo que eu senti hoje.
Não sei explicar ou dá nome a coisa. É coisa da alma, Zé. Sentir o sol no rosto
e no cabelo, deixando o último mais claro como se o sol se apossasse dele.
Fechar os olhos e sentir o vento no rosto, no cabelo, entre os dedos... Sabe
Zé, aquele clima de ar condicionado e seriedade não me agrada não. Sou do mato
mesmo. Ou do mar. Quero tirar onda do que e de quem me deixa triste, quero
correr de tudo o que me aflige. Seja aqui dentro ou lá fora. Quero correr na
areia sem me importar se vai tá estragando as unhas caríssimas que aquela
manicura me cobrou. Sei lá, acho que não fui feita pra sociedade não, Zé. Essa
pressão de pré-vestibular ta me deixando maluca, então desconsidere minhas
besteiras, meu amigo. Eu só queria uma vidinha menos estressante, menos
coisificada, menos estude-pra-ter-dinheiro-e-ser-alguem-na-vida. Uai Zé, e eu
sou ninguém, por acaso? Num sou não! Eu tenho nome, sobrenome e personalidade.
Muita personalidade, por sinal. Quero viver do meu jeito, fazer o que eu quero.
Olhe, tá aí uma coisinha que eu não gosto é de gente me dizendo o que fazer ou
me dando ordem. Eu rodo a baiana, a pernambucana, a cearense e tudo o que for
de mulher arretada. Quero aquela liberdade que eu senti hoje de manhã. Aquela
sensação de que tudo na vida tá onde deveria estar, e o que ainda não tá, vai
chegar logo logo. Aquilo foi quase uma personificação da paz. Eu quase a vi. Juro,
Zé. Eu quase senti uma mão divina me acariciar a face e me dar um beijo de “tenha
um bom dia”. E tive. Tive mesmo... Hoje eu acreditei em mim, Zé. Acreditei que
eu sou boa o bastante pra viver só de mim. Acreditei que eu posso me permitir
ser amada por alguém além de mim e que posso continuar sendo eu mesma
apesar disso. Não preciso mudar pra
agradar ninguém, acredita, Zé? Quase inacreditável mesmo! Quem diria que alguém
um dia iria se apaixonar pelo meu jeito chato e irritante de gostar de alguém?
É quase piada pros meus ouvidos, que por sinal, estão agora escutando uma ótima
musica que diz “Não, não chores mais.”. É claro que eu não choro, Zé! É claro
que não! Eu consigo sentir quem eu sou agora, e poder ser eu mesma é quase tão
bom quanto sentir aquilo que eu senti hoje. É sereno. É doce. É infinito.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
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