Uma hora a gente liga o motor e vai. Uma hora
a gente cansa de esperar, uma hora a gente quer urgência, quer aqui, agora. Uma
hora a gente deixa de olhar para o futuro. Um futuro incerto e coberto por
promessas, coberto de adiamentos. Um dia a gente quer olhar pra dentro de si,
olhar o que tem ali, o que a gente deixou pra escanteio, escondidinho,
sussurrando um “hoje não, mas amanhã eu vou ser feliz”. Um dia a gente para de
imaginar o amanhã, para de pensar no que não depende de nós mesmos. Um dia
acaba a paciência. Um dia acaba, no outro começa. Todo fim é um começo. Um dia não
tem vinte e quatro horas, tem a hora que você quiser. O tempo que você quiser. Termine
o que te faz mal. Diga acabou. Só você sabe a força que tem aí dentro. Olhe para
o espelho e diga “já chega”. Só é necessário um dia. Um dia desses qualquer
você vai se olhar no espelho e se ver, se enxergar, se atravessar. Você é o
dobro, é o triplo. É demais pra desperdício. Moça, você não é pra qualquer um.
Moça, você não é pra qualquer dia. Tem hora que a gente cansa de falar de amor.
Amor é surreal, é imaginário, é futuro. Amor são rugas, dedos entrelaçados e
chá. Amor é relógio, é tempo, me desculpe, mas o tempo voa e eu não posso
parar. Não posso parar pra ouvir o que me envenena, o que me empobrece. Eu
quero mais de mim. Quero meu eu. Quero cem por cento. Já me doei demais pra
pouca coisa. Quero presente. Quero presença. Quero utilizar cada minuto e me lembrar
de tudo o que fiz daqui a algumas horas. Por que é assim, não é? É velocidade,
tempo, espaço. São frases curtas pra não perder o fôlego. Pra não cansar.
Afinal, o tempo não para e não é agora que eu vou parar.
sábado, 19 de maio de 2012
Assinar:
Comentários (Atom)
