
Ponho aquela música que me lembra você pra tocar e imagino como tudo poderia ser diferente. Os versos e as explicações que eu procuro para dar sentido a eles me fazem imaginar situações que eu nunca vivi, mas sonhei poder vivê-las um dia. Um dia, não mais. As notas do teu violão me trazem a ironia da vida de querer ser consolada por quem só me magoa. Olha só, o cantor acabou de dizer: “Pra não tocá-lo, melhor nem vê-lo”, e eu me perco no meio do verso em que mais me encontro. O timbre da tua voz me leva a momentos que nunca vivi, mas tenho-os vivos, vermelhos na minha memória. De repente me pergunto o que realmente eu estou vivendo e tento separar os extremos da minha vida. Será mesmo que tudo isso aconteceu? Ou pior ainda, Será que foi apenas a minha imaginação covarde, que me faz sentir na pele dores que nunca senti e embalos que nunca dancei? Crio expectativas onde não tem, crio amores inexistentes e me contento com isso. Vejo esperança cada vez em que olho nos teus olhos, um abismo no qual eu me perco em sensações distintas. Um dia eu te amo, no outro eu te odeio. Talvez seja mesmo alguma espécie de bipolaridade sentimental. Mas assim como todo o resto da história, poderia ser diferente. Poderia ser tudo mais fácil, mais de acordo com a música que toca nas novelas, mais de acordo com os livros românticos que fazem um mundo acreditar no amor. Porém, repentinamente me recordo da música que está tocando nesse momento, como plano de fundo de uma história sem fim, e percebo o que eu já havia percebido, mas não queria admitir: “Já não consigo não pensar em você”.

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