Eu estou perdida. Literalmente. Pra falar a verdade muita
gente usa “literalmente” sem saber o significado real ou como aplicar a alguma
situação, mas eu sei e repito: Estou perdida. Não pertenço a esse lugar e estou
cada vez mais certa disso. Não nasci pra viver em um lugar onde aos dezesseis
as meninas sonham com um namorado que as prendam em casa e que ajam como um
dono ditando o que elas podem ou não fazer e pra onde e com quem elas podem ou
não sair. Não me imagino trancada a alguém. Não nasci pra viver em um lugar
onde os meninos se espelham em caras que têm como objetivo de vida ser bonito
fisicamente, rico e ter qualquer mulher, muito menos em um lugar onde musica é sinônimo de vulgaridade e submissão da mulher.
Eu sonho mais alto. Sempre sonhei. Talvez impossível, que
seja, nunca gostei de coisas fáceis: enjoei e enjoo delas. Eu quero ser
independente. E pra mim independência não significa atingir a maioridade porque
querendo ou não, eu ainda vou depender de alguém pra pagar meu aluguel por
alguns (poucos) anos (sim, eu pretendo sair de casa o mais rápido possível). Eu
pretendo fazer intercâmbio, conhecer idiomas, culturas, lugares, pessoas
diferentes! Quero acordar de manhã em um lugar que eu não saiba pronunciar o
nome e com pessoas desconhecidas, pegar uma bicicleta e sair por aí... ir à
praia, aprender a surfar.
Eu quero conhecer a Grécia! Ah, a Grécia... Sou a única
pessoa que eu conheço que deseja ir a Grécia mais do que à qualquer parque de
diversões famoso. Sei lá, é uma coisa que vem de mim essa minha atração pela
cultura grega, pelo idioma tão cheio de mistérios, pela história, pela força
que o território tem... loucura, coisa de vidas passadas talvez. Quero festejar
até o meio-dia do outro dia e me divertir muito, sem ter alguém pra me dizer o
que eu posso ou não fazer ou dizer, ora, eu não gosto de receber ordens, você
ainda não entendeu?
Eu quero sentir o vento no cabelo e a neve congelando a
ponta no nariz, eu quero voar de asa-delta e nadar com os golfinhos, eu quero
me aventurar! Não me importa se eu vou sair sozinha de debaixo da asa da
família, tem tanta gente no meio do caminho pra eu conhecer e me identificar! Esse é o problema de muita
gente: Não acreditar que o mundo é grande o suficiente para abrir mão de certos
lugares ou pessoas. Não que eu vá esquecer da minha família ou dos meus quatro
ou cinco amigos, claro que não, a diferença entre mim e eles é que eu me acho
suficiente pra abrir mão do meu mundinho monótono e me aventurar no mundo, na
vida. Tem tanta coisa no mundo que a gente nem imagina e fica dizendo que não é
boa ou não é confiável. Tirar suas próprias conclusões da vida é importante,
sabia? Viver é aventurar-se, ter histórias, porque algum dia eu tenho certeza
que alguém vai te perguntar o que você fez de emocionante na sua vida, e bom,
eu já não tenho tanta certeza se você saberá o que responder.

gostei dos textos, você escreve muito bem.
ResponderExcluiraline
(http://cronicasdemenina.wordpress.com/)
obrigada aline! :)
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